Sobre a Casa

A Casa Krüger, como é conhecida atualmente, carrega mais de um século de história. A edificação principal foi construída em alvenaria por Paulo Schwebs e inaugurada em 1925, marcando uma nova fase para a propriedade. No entanto, suas origens remontam a um período ainda anterior.

Antes da construção da casa atual, já existia no terreno uma residência em técnica construtiva enxaimel, datada entre 1890 e 1900. Originalmente localizada em uma área mais alta da propriedade, essa estrutura foi desmontada e transferida para outro ponto do terreno após a aquisição da área por Paulo Schwebs, em 1914.

Depois da construção da nova residência, a antiga estrutura de madeira foi reaproveitada e anexada ao edifício principal, passando a funcionar como cozinha e área de serviço, configuração que permanece preservada até os dias atuais.

De acordo com registros da Coordenação de Patrimônio Cultural (CPC), o terreno da Casa Krüger possui 6.411,8 m². No início do século XX, o local também servia como ponto estratégico de parada para carroceiros que percorriam a Estrada Dona Francisca, importante via de circulação na região.

Arquitetura

Segundo relatório elaborado pelo pesquisador Udo Baumann em 1987, a Casa Krüger segue o modelo tradicional das residências construídas por colonos na região.

A planta da casa apresenta uma sala central e dois quartos no térreo, enquanto o sótão, acessado por uma escada íngreme, abrigava os dormitórios das crianças. A área térrea possui 183,13 m² e o sótão soma 115,58 m².

O acesso principal acontece pela varanda frontal, um dos elementos mais marcantes e característicos da construção.

Área externa e elementos decorativos

A área externa da Casa Krüger é um de seus grandes atrativos, contando com cerca de 1.100 m² de paisagismo. A fachada apresenta cinco eixos de simetria, com duas janelas de cada lado da porta principal. A varanda com arcos de inspiração barroca portuguesa confere imponência e singularidade ao imóvel.

O telhado é coberto com telhas francesas e possui uma ampla água-furtada, recurso arquitetônico que favorece a iluminação natural dos quartos no pavimento superior.

Entre os elementos artísticos mais importantes da casa estão as pinturas realizadas em 1925 pelo artista Stock Marquardt. Os afrescos, presentes na varanda e em áreas internas, apresentam motivos florais, ornamentos e paisagens pintadas entre as janelas, enriquecendo a estética do edifício. Embora existam poucas informações sobre o artista, sua obra permanece como parte fundamental da identidade visual da Casa Krüger e atualmente demanda ações de restauro para sua preservação.

Além dos afrescos, também podem ser observadas pinturas murais executadas em técnica de estêncil, com padrões florais que aparecem em diferentes áreas internas e externas da casa, revelando novas camadas da história do imóvel.

O galpão e a Feira Rural

Ao lado da Casa Krüger encontra-se um galpão de madeira com varanda em tijolos aparentes, com área de 351,67 m². Desde 2003, o espaço abriga a Feira Rural Casa Krüger, que se tornou um importante ponto de encontro entre produtores locais e a comunidade.

Historicamente, existia ainda outro galpão na propriedade, utilizado como suporte às atividades agrícolas da família. Nas primeiras décadas do século XX, o local produzia cana-de-açúcar e milho, utilizados na fabricação de cachaça, melado e geleias. A propriedade também mantinha uma pequena criação de gado.

Vestígios do antigo alambique ainda podem ser encontrados na área onde atualmente acontece a feira, reforçando a ligação entre o espaço e as atividades produtivas que marcaram sua história.

Sobre a Família Krüger

Para compreender a história da Casa Krüger, é necessário conhecer também a trajetória da família que deu origem a esse importante patrimônio. A história da residência está profundamente ligada à vida de seus primeiros moradores e ao processo de formação das comunidades rurais da região de Joinville.

A matriarca da família, Frida Meier, nasceu em Joinville e era filha de imigrantes. Cresceu na zona rural da cidade, em um contexto marcado pelas tradições e pelo cotidiano das famílias colonizadoras da região. Em 1908, casou-se com Robert Wilhelm August Krüger. O casal teve dois filhos: Paulo Guilherme Alfredo Krüger, nascido em 1909, e Annita Krüger, nascida em 1912.

Após o casamento, a família estabeleceu-se em Pirabeiraba, passando a viver na antiga casa em enxaimel que já existia no terreno adquirido. Com o crescimento da família, a residência tornou-se pequena, e Robert decidiu construir uma nova casa que pudesse oferecer mais espaço e conforto. Para isso, contratou o construtor Paulo Alberto Schwebs, conhecido na região.

No entanto, Robert faleceu em 1912, poucos meses após o nascimento de sua filha Annita, deixando Frida viúva e responsável pelos dois filhos ainda pequenos. Dois anos depois, em 1914, Frida casou-se com Paulo Schwebs, o construtor responsável pela nova residência. Juntos, tiveram mais um filho e deram continuidade ao processo de ampliação da casa, que seria oficialmente inaugurada apenas em 1925.

Ao longo das décadas, a história da família Krüger se entrelaçou com a trajetória da residência, que gradualmente se transformou em um importante símbolo da memória e da cultura local.

O reconhecimento desse valor histórico levou ao tombamento da Casa Krüger como patrimônio estadual em 1994. Posteriormente, em 2007, o imóvel também foi tombado como patrimônio cultural nacional, passando a integrar o conjunto de bens protegidos pelos Roteiros Nacionais de Imigração de Santa Catarina. Esse conjunto faz parte da primeira chancela brasileira de Paisagem Cultural, reconhecida no país (Dalonso; Carelli; Bandeira, 2018).

Conheça o Documentário sobre a Casa Krüger

Este documentário percorre mais de 120 anos de memória, arquitetura, cultura rural e tradição imigrante.

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